A semana passou lentamente, mais devagar do que eu desejava. Entre trabalhos fotográficos, jantaradas com os amigos, sessões de cinema, consulta na psicóloga e terapia de grupo, compras etc … nunca mais chegava o dia de estar novamente na companhia do David, sentia falta de fixar o meu olhar no dele, de sentir a inspiração que o seu corpo atlético me transmitia.
Nessa semana a Joana “massacrou-me”, que tinha que ir ver o clássico entre o Benfica – Sporting à Catedral. Já não aguentava tanta insistência. Já fugia da minha amiga para não a ouvir falar de futebol. Como se não bastasse o Mário ajudava à festa, tal como a irmã também ele batia sempre na mesma tecla, que eu tinha que ir com eles ver o Benfica bla bla bla…
-Amiga aquilo é um mundo à parte, é uma emoção inexplicável, mal coloco os meus pezinhos dentro do estádio da luz as lágrima começam a querer saltar, e sabes como é difícil eu chorar. Olha – esticou o braço dela na minha direcção – até só de pensar me arrepio.
-Que exagerada, se choras só por isso és maluquinha. Que emoção pode ter entrar num estádio barulhento, cheio de fanáticos aos berros, a dizer palavrões e a chamar o árbitro todos os nomes provocadores possíveis e imagináveis, por causa de vinte e não sei quantos homens a correr atrás de uma bola. – Argumentei eu, sabendo que era em vão, a Joana adorava futebol e principalmente o Benfica e tudo o que eu lhe dissesse que beliscasse o seu adorado Benfica lhe entrava a cem no ouvido e saía a mil à hora.
-Então tens que vir comigo e com o Mário para veres como estás redondamente enganadinha – insistiu novamente a Joana.
-Tu és mesmo chata, o que vale é que o jogo é já amanhã e finalmente vais-te calar com esse assunto, só tenho que aguentar este inferno de te ouvir falar do jogo apenas mais umas horas.
A Joana aproximou-se de mim, encostou os lábios dela perto do meu rosto e disse em tom melado mas ao mesmo tempo um pouco provocador.
- Aproveitas e vês o Davidinho.
Soltei uma gargalhada.
-Davidinho Jo, não sejas ridícula, isso não soa nada bem – e rimos as duas.
Bem finalmente a Joana tinha arranjado um bom motivo para minha ida ao estádio da luz , um argumento verdadeiramente aceitável. Assim a conversa era outra, já me agradava mais.
De repente os meus olhos brilharam e um enorme sorriso surgiu no meu rosto.
-A ideia de ires ver o David agradou-te – sublinhou a Joana.
Acenei com a cabeça que sim, que o facto de ir ver o David me agradava imensamente, melhor ainda vê-lo sem ele me poder ver, admirar cada “pedacinho” dele sem ele perceber.
No domingo lá estava eu, o Mário e a Joana em nossa casa a prepararmo-nos para assistir in loco ao derby lisboeta Benfica – Sporting.
A Joana estava felicíssima, o Benfica deixava-a completamente em êxtase, e eu não conseguia perceber o porquê de tanta euforia por causa de um simples jogo de futebol.
Ela a ver futebol tornava-se insuportável, o que me deixava um pouco reticente na minha deslocação com ela ao estádio, a Joana era daquelas mulheres que “desciam do saltos altos” para defenderem com unhas e dentes o seu clube do coração.
“Espero que a Joana se porte bem, que não arme nenhuma peixeirada" – pensava eu enquanto me acabava de vestir.
-Anita despacha-te está a ficar tarde, vamos atrasar-nos – berrou a Joana da sala.
-Ainda faltam quase duas horas para o jogo, temos muito tempo – respondi-lhe também num tom mais alto do meu quarto.
-Vá põe-te a mexer, já sabes que eu não gosto de perder pitada, se paguei é para ver o espectáculo completo e além disso hoje não me apetece nada “levar” com filas. Não me quero cruzar com as claques dos lagartos. – resmungou-me ela da sala.
Eu sabia que a Joana gostava de entrar no estádio para assistir ao aquecimento dos jogadores, e que não suportava filas, tal como eu, portanto tinha que ir cedo para evitar muitos minutos de espera fora do estádio.
Quando entrei na sala a Joana e o Mário já estavam vestidos a rigor, com cachecol, camisola e boné, eu destoava naquela sala, estava vestida com umas calças de ganga, botas e uma t-shirt roxa.
-Epá, até dói olhar para vocês, estão o mais foleiro possível – disse eu divertida, mas já a encolher-me, sabia que a Joana ia ripostar à minha gracinha.
-F******, mas tu não sabes mesmo o que é a mística benfiquista, és uma inculta em relação ao futebol.
-Sei pois, é a revista benfiquista – continuei na brincadeira com a Joana, mas sabia que não podia prolongar a brincadeira por muito tempo, porque senão ela chateava-se mesmo a sério. A Joana não permitia que gozassem com o seu clube e até os melhores amigos e familiares tinham rédea curta para lançar piadas acerca do seu clube adorado.
-Deixemo-nos de palavreado desnecessário, já tenho os teus adereços preparados – disse a Joana num tom autoritário, apontando para o sofá, onde estava uma camisola do Benfica e um cachecol do mesmo.
-É que nem penses, não visto aquela azeiteiri…
A Joana nem me deixou acabar.
-Nem penses em proferires essa palavra – interrompeu-me a Joana não me deixando acabar já adivinhando o que eu ia dizer.
-Meninas não se vão chatear, pois não? – interveio o Mário.
Mas eu continuei sem dar muita importância ao que o Mário tinha dito.
-Eu vou vestida como quiser não me vais obrigar a levar essa fatiota, ou então não vou – refilei eu com um ar sério.
-Possa, irmos os três vestidos a rigor era muito mais engraçado e mais bonito para a fotografia – murmurou a Joana com um ar triste.
Soltei uma gargalhada e respondi-lhe divertida.
-Vou ver se tenho uma t-shirt vermelha, para ficar mais parecida com vocês, mas não me peçam para vestir a camisola do vosso clube, ia-me sentir uma traidora.
-Mas uma traidora porquê?
-O Bernardo… - olhei cabisbaixo.
-Ok vai lá vestir uma camisola vermelha e não se fala mais nisso – respondeu-me a Joana acenando ao mesmo tempo com a cabeça dando indicação que percebia.
Não precisei de dizer mais nada. Bastou-me nomear o nome do Bernardo para ela não insistir mais.
-Pode ser uma patetice minha mas o facto do Bernardo ter sido um adepto fervoroso do Sporting…
A Joana não me deixou continuar, o tom da nossa voz tinha mudado, para uma voz mais calma e nostálgica
-Vais vestida como te sentires melhor - e abraçou-me – só quero é que tu estejas bem, mas já sabes que quando falo no Benfica sou uma exagerada, parece que baixa um espírito em mim – rimos as duas timidamente.
Fui ao meu quarto vesti uma camisola vermelha peguei na minha carteira e dirigi-me de novo para a sala.
-Ai amiga que o vermelho fica-te tão bem, tens que vestir mais vezes – elogiou a Joana – vamos embora que já se faz tarde – completou ela pegando nas chaves e na sua carteira apressadamente.
Saímos os três em direcção ao estádio da luz, ao longo do caminho “sofri” um misto de sentimentos, saudade, tristeza, mas ao mesmo tempo estava contente ia voltar a ver o David, nem que fosse de longe.
No caminho a Joana não deu tréguas ao tema Benfica, lá me tentou convencer que ia adorar, que ia ser uma emoção muito grande assistir ao jogo do Benfica na catedral com cerca de cinquenta mil pessoas, a entoar hinos do Benfica, que me ia arrepiar e converter-me ao símbolo da águia. A Joana ia falando empolgada, mas eu nem dei muita importância, ela era sempre uma excessiva quando se referia ao clube do coraçãozinho dela.
Ao entrar no estádio da luz, o meu coração estremeceu, o ambiente era incrível, cânticos das claques faziam eco por todo o estádio, as cores, os cachecóis no ar, as bandeiras a esvoaçar, realmente era emocionante todo aquele cenário, tive que dar a mau à palmatória. A Joana percebeu que fiquei surpreendida pela positiva com todo aquele ambiente.
Mesmo estando nas bancadas do topo do estádio conseguia avistar o David, que fez o meu coração disparar de novo, e esquecer todo aquele ambiente grandioso à minha volta. Vi o aquecimento sem desprender o olhar um segundo que fosse do David, cada movimento que ele fazia era seguido atentamente pelos meus enormes olhos castanhos. A Joana e o Mário perceberam que o meu encantamento era tal, que nem me dirigiam a palavra, não me queriam interromper, entenderam que eu estava em paz ao visualizar o David.
O jogo teve inicio e eu comecei a entusiasmar-me mais do que estava à espera, o David continuava a ser a prioridade dentro daquele relvado, cada vez que o ele tocava ou tinha a posse de bola eu levantava-me bruscamente, com um nervoso miudinho. A Joana olhava embasbacada para mim, não queria acreditar que eu tinha entrado na pele de adepta, e finalmente ela tinha-me ao lado dela a vibrar com o Benfica.
-Merda, mas ele não marca nada, filho da p*** do arbitro - gritei eu.
-Calma amiga, não foi nada, o David escorregou, o outro só tocou na bola, não fez falta – disse divertida a Joana.
-Ah, está bem …- respondi um pouco confusa.
-Nem sempre é falta quando um jogador cai – e deu uma gargalhada.
Estávamos distraídas na conversa e nem demos pelo golo, só demos conta do golo com a explosão de alegria no estádio. Perto de cinquenta mil pessoas a gritar golo, era estonteante o ambiente gerado naqueles segundos.
-Goloooooooooooo, é golo, é golo – gritou a Joana abraçando-se ao Mário.
Eu apenas sorri, mas fiquei satisfeita com o golo, afinal era a equipa do David que estava a ganhar.
O jogo foi decorrendo e eu entrava cada vez mais no espírito benfiquista, estava a fazer-me bem toda aquela euforia, estava a vibrar com o ambiente arrebatador naquele estádio, sem nunca descorar o meu olhar no David, eu continuava a persegui-lo dentro daquele relvado.
O Benfica marcou um segundo golo, e eu fiz o impensável, abracei-me à Joana e ao Mário a gritar golo euforicamente.
O jogo acabou e eu estava tão contente como a Joana e o Mário. Dei uma última olhadela para o relvado para ver se avistava o David. Os meus olhos bateram novamente nele, fiquei arrebatada ao vê-lo a interagir com os seus fãs, a distribuir autógrafos, sorrisos, beijos, abraços, com muita simpatia e com toda a simplicidade que eu já tivera o privilégio de conhecer. Fiquei a admirá-lo deliciada durante os largos minuto que ele permaneceu em campo. Tive vontade de descer as bancadas, uma a uma e ir ao encontro dele e dar-lhe os parabéns pelo excelente jogo que havia feito. Mas era melhor não, fiquei admirar a beleza dele apenas de longe.
-Anita vamos embora – disse a Joana interrompendo os meus pensamentos.
-Ah? Espera mais um pouco, o espectáculo ainda não acabou, não és tu que dizes que pagaste para veres tudo do primeiro ao último minuto, os jogadores ainda não recolheram todos aos balneários.
-Sim, sim, deixa-te estar, vamos embora quando a madame desejar – respondeu a Joana a gozar.
Finalmente o David dirigiu-se para o túnel de acesso ao balneário.
-Agora sim, podemos ir, o espectáculo acabou – disse olhando para a Joana e para o Mário. Sorrimos os três e encaminhando-nos para a saída.
Sai do estádio com um grande sorriso. Para primeira experiência tinha sido fantástica e ver novamente o David fazia-me sentir realmente bem, apaziguava todas as saudades.
“Hoje tenho que marcar o encontro de amanhã com o David” – pensei eu enquanto entrava no carro da Joana – vou enviar já para não me esquecer”.
Não sei porque pensei aquilo, era impossível esquecer, toda a semana ansiava com aquele encontro. O nervoso miudinho não me largava um minuto, um segundo que fosse. O facto de pensar no David deixava-me insegura mas feliz.
Comecei a escrever a mensagem que lhe ia enviar.
(Olá Sr. Jogador…) “Oh assim não fica bem” – pensei enquanto apagava a mensagem.
(Olá David, gostava saber a que horas …) “Péssimo, fica demasiado formal” – apaguei de novo. “Mas custa assim tanto escrever uma simples mensagem a marcar um encontro?”
A Joana reparou que eu não parava de mexer no telemóvel, o que não era habitual em mim.
-Anita isso está difícil, o que tanto te faz mexer no telemóvel?
-Nada de especial. – sai das mensagens e arrumei o telemóvel dentro da carteira.
Mas continuei a matutar o que haveria de escrever na mensagem que ia enviar ao David .
Nessa semana a Joana “massacrou-me”, que tinha que ir ver o clássico entre o Benfica – Sporting à Catedral. Já não aguentava tanta insistência. Já fugia da minha amiga para não a ouvir falar de futebol. Como se não bastasse o Mário ajudava à festa, tal como a irmã também ele batia sempre na mesma tecla, que eu tinha que ir com eles ver o Benfica bla bla bla…
-Amiga aquilo é um mundo à parte, é uma emoção inexplicável, mal coloco os meus pezinhos dentro do estádio da luz as lágrima começam a querer saltar, e sabes como é difícil eu chorar. Olha – esticou o braço dela na minha direcção – até só de pensar me arrepio.
-Que exagerada, se choras só por isso és maluquinha. Que emoção pode ter entrar num estádio barulhento, cheio de fanáticos aos berros, a dizer palavrões e a chamar o árbitro todos os nomes provocadores possíveis e imagináveis, por causa de vinte e não sei quantos homens a correr atrás de uma bola. – Argumentei eu, sabendo que era em vão, a Joana adorava futebol e principalmente o Benfica e tudo o que eu lhe dissesse que beliscasse o seu adorado Benfica lhe entrava a cem no ouvido e saía a mil à hora.
-Então tens que vir comigo e com o Mário para veres como estás redondamente enganadinha – insistiu novamente a Joana.
-Tu és mesmo chata, o que vale é que o jogo é já amanhã e finalmente vais-te calar com esse assunto, só tenho que aguentar este inferno de te ouvir falar do jogo apenas mais umas horas.
A Joana aproximou-se de mim, encostou os lábios dela perto do meu rosto e disse em tom melado mas ao mesmo tempo um pouco provocador.
- Aproveitas e vês o Davidinho.
Soltei uma gargalhada.
-Davidinho Jo, não sejas ridícula, isso não soa nada bem – e rimos as duas.
Bem finalmente a Joana tinha arranjado um bom motivo para minha ida ao estádio da luz , um argumento verdadeiramente aceitável. Assim a conversa era outra, já me agradava mais.
De repente os meus olhos brilharam e um enorme sorriso surgiu no meu rosto.
-A ideia de ires ver o David agradou-te – sublinhou a Joana.
Acenei com a cabeça que sim, que o facto de ir ver o David me agradava imensamente, melhor ainda vê-lo sem ele me poder ver, admirar cada “pedacinho” dele sem ele perceber.
No domingo lá estava eu, o Mário e a Joana em nossa casa a prepararmo-nos para assistir in loco ao derby lisboeta Benfica – Sporting.
A Joana estava felicíssima, o Benfica deixava-a completamente em êxtase, e eu não conseguia perceber o porquê de tanta euforia por causa de um simples jogo de futebol.
Ela a ver futebol tornava-se insuportável, o que me deixava um pouco reticente na minha deslocação com ela ao estádio, a Joana era daquelas mulheres que “desciam do saltos altos” para defenderem com unhas e dentes o seu clube do coração.
“Espero que a Joana se porte bem, que não arme nenhuma peixeirada" – pensava eu enquanto me acabava de vestir.
-Anita despacha-te está a ficar tarde, vamos atrasar-nos – berrou a Joana da sala.
-Ainda faltam quase duas horas para o jogo, temos muito tempo – respondi-lhe também num tom mais alto do meu quarto.
-Vá põe-te a mexer, já sabes que eu não gosto de perder pitada, se paguei é para ver o espectáculo completo e além disso hoje não me apetece nada “levar” com filas. Não me quero cruzar com as claques dos lagartos. – resmungou-me ela da sala.
Eu sabia que a Joana gostava de entrar no estádio para assistir ao aquecimento dos jogadores, e que não suportava filas, tal como eu, portanto tinha que ir cedo para evitar muitos minutos de espera fora do estádio.
Quando entrei na sala a Joana e o Mário já estavam vestidos a rigor, com cachecol, camisola e boné, eu destoava naquela sala, estava vestida com umas calças de ganga, botas e uma t-shirt roxa.
-Epá, até dói olhar para vocês, estão o mais foleiro possível – disse eu divertida, mas já a encolher-me, sabia que a Joana ia ripostar à minha gracinha.
-F******, mas tu não sabes mesmo o que é a mística benfiquista, és uma inculta em relação ao futebol.
-Sei pois, é a revista benfiquista – continuei na brincadeira com a Joana, mas sabia que não podia prolongar a brincadeira por muito tempo, porque senão ela chateava-se mesmo a sério. A Joana não permitia que gozassem com o seu clube e até os melhores amigos e familiares tinham rédea curta para lançar piadas acerca do seu clube adorado.
-Deixemo-nos de palavreado desnecessário, já tenho os teus adereços preparados – disse a Joana num tom autoritário, apontando para o sofá, onde estava uma camisola do Benfica e um cachecol do mesmo.
-É que nem penses, não visto aquela azeiteiri…
A Joana nem me deixou acabar.
-Nem penses em proferires essa palavra – interrompeu-me a Joana não me deixando acabar já adivinhando o que eu ia dizer.
-Meninas não se vão chatear, pois não? – interveio o Mário.
Mas eu continuei sem dar muita importância ao que o Mário tinha dito.
-Eu vou vestida como quiser não me vais obrigar a levar essa fatiota, ou então não vou – refilei eu com um ar sério.
-Possa, irmos os três vestidos a rigor era muito mais engraçado e mais bonito para a fotografia – murmurou a Joana com um ar triste.
Soltei uma gargalhada e respondi-lhe divertida.
-Vou ver se tenho uma t-shirt vermelha, para ficar mais parecida com vocês, mas não me peçam para vestir a camisola do vosso clube, ia-me sentir uma traidora.
-Mas uma traidora porquê?
-O Bernardo… - olhei cabisbaixo.
-Ok vai lá vestir uma camisola vermelha e não se fala mais nisso – respondeu-me a Joana acenando ao mesmo tempo com a cabeça dando indicação que percebia.
Não precisei de dizer mais nada. Bastou-me nomear o nome do Bernardo para ela não insistir mais.
-Pode ser uma patetice minha mas o facto do Bernardo ter sido um adepto fervoroso do Sporting…
A Joana não me deixou continuar, o tom da nossa voz tinha mudado, para uma voz mais calma e nostálgica
-Vais vestida como te sentires melhor - e abraçou-me – só quero é que tu estejas bem, mas já sabes que quando falo no Benfica sou uma exagerada, parece que baixa um espírito em mim – rimos as duas timidamente.
Fui ao meu quarto vesti uma camisola vermelha peguei na minha carteira e dirigi-me de novo para a sala.
-Ai amiga que o vermelho fica-te tão bem, tens que vestir mais vezes – elogiou a Joana – vamos embora que já se faz tarde – completou ela pegando nas chaves e na sua carteira apressadamente.
Saímos os três em direcção ao estádio da luz, ao longo do caminho “sofri” um misto de sentimentos, saudade, tristeza, mas ao mesmo tempo estava contente ia voltar a ver o David, nem que fosse de longe.
No caminho a Joana não deu tréguas ao tema Benfica, lá me tentou convencer que ia adorar, que ia ser uma emoção muito grande assistir ao jogo do Benfica na catedral com cerca de cinquenta mil pessoas, a entoar hinos do Benfica, que me ia arrepiar e converter-me ao símbolo da águia. A Joana ia falando empolgada, mas eu nem dei muita importância, ela era sempre uma excessiva quando se referia ao clube do coraçãozinho dela.
Ao entrar no estádio da luz, o meu coração estremeceu, o ambiente era incrível, cânticos das claques faziam eco por todo o estádio, as cores, os cachecóis no ar, as bandeiras a esvoaçar, realmente era emocionante todo aquele cenário, tive que dar a mau à palmatória. A Joana percebeu que fiquei surpreendida pela positiva com todo aquele ambiente.
Mesmo estando nas bancadas do topo do estádio conseguia avistar o David, que fez o meu coração disparar de novo, e esquecer todo aquele ambiente grandioso à minha volta. Vi o aquecimento sem desprender o olhar um segundo que fosse do David, cada movimento que ele fazia era seguido atentamente pelos meus enormes olhos castanhos. A Joana e o Mário perceberam que o meu encantamento era tal, que nem me dirigiam a palavra, não me queriam interromper, entenderam que eu estava em paz ao visualizar o David.
O jogo teve inicio e eu comecei a entusiasmar-me mais do que estava à espera, o David continuava a ser a prioridade dentro daquele relvado, cada vez que o ele tocava ou tinha a posse de bola eu levantava-me bruscamente, com um nervoso miudinho. A Joana olhava embasbacada para mim, não queria acreditar que eu tinha entrado na pele de adepta, e finalmente ela tinha-me ao lado dela a vibrar com o Benfica.
-Merda, mas ele não marca nada, filho da p*** do arbitro - gritei eu.
-Calma amiga, não foi nada, o David escorregou, o outro só tocou na bola, não fez falta – disse divertida a Joana.
-Ah, está bem …- respondi um pouco confusa.
-Nem sempre é falta quando um jogador cai – e deu uma gargalhada.
Estávamos distraídas na conversa e nem demos pelo golo, só demos conta do golo com a explosão de alegria no estádio. Perto de cinquenta mil pessoas a gritar golo, era estonteante o ambiente gerado naqueles segundos.
-Goloooooooooooo, é golo, é golo – gritou a Joana abraçando-se ao Mário.
Eu apenas sorri, mas fiquei satisfeita com o golo, afinal era a equipa do David que estava a ganhar.
O jogo foi decorrendo e eu entrava cada vez mais no espírito benfiquista, estava a fazer-me bem toda aquela euforia, estava a vibrar com o ambiente arrebatador naquele estádio, sem nunca descorar o meu olhar no David, eu continuava a persegui-lo dentro daquele relvado.
O Benfica marcou um segundo golo, e eu fiz o impensável, abracei-me à Joana e ao Mário a gritar golo euforicamente.
O jogo acabou e eu estava tão contente como a Joana e o Mário. Dei uma última olhadela para o relvado para ver se avistava o David. Os meus olhos bateram novamente nele, fiquei arrebatada ao vê-lo a interagir com os seus fãs, a distribuir autógrafos, sorrisos, beijos, abraços, com muita simpatia e com toda a simplicidade que eu já tivera o privilégio de conhecer. Fiquei a admirá-lo deliciada durante os largos minuto que ele permaneceu em campo. Tive vontade de descer as bancadas, uma a uma e ir ao encontro dele e dar-lhe os parabéns pelo excelente jogo que havia feito. Mas era melhor não, fiquei admirar a beleza dele apenas de longe.
-Anita vamos embora – disse a Joana interrompendo os meus pensamentos.
-Ah? Espera mais um pouco, o espectáculo ainda não acabou, não és tu que dizes que pagaste para veres tudo do primeiro ao último minuto, os jogadores ainda não recolheram todos aos balneários.
-Sim, sim, deixa-te estar, vamos embora quando a madame desejar – respondeu a Joana a gozar.
Finalmente o David dirigiu-se para o túnel de acesso ao balneário.
-Agora sim, podemos ir, o espectáculo acabou – disse olhando para a Joana e para o Mário. Sorrimos os três e encaminhando-nos para a saída.
Sai do estádio com um grande sorriso. Para primeira experiência tinha sido fantástica e ver novamente o David fazia-me sentir realmente bem, apaziguava todas as saudades.
“Hoje tenho que marcar o encontro de amanhã com o David” – pensei eu enquanto entrava no carro da Joana – vou enviar já para não me esquecer”.
Não sei porque pensei aquilo, era impossível esquecer, toda a semana ansiava com aquele encontro. O nervoso miudinho não me largava um minuto, um segundo que fosse. O facto de pensar no David deixava-me insegura mas feliz.
Comecei a escrever a mensagem que lhe ia enviar.
(Olá Sr. Jogador…) “Oh assim não fica bem” – pensei enquanto apagava a mensagem.
(Olá David, gostava saber a que horas …) “Péssimo, fica demasiado formal” – apaguei de novo. “Mas custa assim tanto escrever uma simples mensagem a marcar um encontro?”
A Joana reparou que eu não parava de mexer no telemóvel, o que não era habitual em mim.
-Anita isso está difícil, o que tanto te faz mexer no telemóvel?
-Nada de especial. – sai das mensagens e arrumei o telemóvel dentro da carteira.
Mas continuei a matutar o que haveria de escrever na mensagem que ia enviar ao David .
Espectacular...
ResponderEliminarQuero mais...
Quanto mais leio, mais quero...
Continua...
Está brutal...
ResponderEliminarTambém quero mais...
Quando é que publicas mais???
Fico À espera :)
AI esta tao fixe Ana tao verdadeiro... adorei as todas as partes especialmente esta:
ResponderEliminar"Merda, mas ele não marca nada, filho da p*** do arbitro - gritei eu.
-Calma amiga, não foi nada, o David escorregou, o outro só tocou na bola, não fez falta – disse divertida a Joana."
Ri me tanto nesta parte... Esta mesmo gira e original ai publica + rapido kero ler :D kero ler +
bjs Natacha
Eu sempre adorei a tua fic mas cada vez adoro mais! E tao linda!
ResponderEliminarContinua a serio!
Ai Ana Mar,
ResponderEliminarque saudades de eu tinha da tua escrita. Adorei o capitulo, estou ansiosa para saber qual será o programinha a dois.
É muito bom, mesmo, voltar a "ler-te"!
beijinho
Quando postas mais ?
ResponderEliminarOi, td bem??
ResponderEliminarOlha qd é postas mais??
Entendo que deve ser complicado ter tempo para escrever, mas é que adoro mesmo a tua fic!!
Estou curiosa para saber como vai ser o encontro deles!!:D
Fica bem
Olá Ana:
ResponderEliminarEspero que não tenhas desistido da tua fic, pois gosto muito.
Venho cá sempre ver se há novidades.
Beijinho
Ana, quando publicas o proximo capitulo? Estou super ansiosa...
ResponderEliminarMuito giro!