Ao abrir a porta descontraí, senti um alivio enorme em ver quem eram os convidados.
Disseram todos em uníssono:
- Olá Anita.
Sorri aliviada e desabafei:
- É tão bom ver-vos….! - o alivio estava estampado no meu rosto.
- Eu disse para confiares em mim, nunca te deixei mal amiguinha. – rematou a Joana.
- Pois, pois se eu não te conhecesse ... já me meteste em várias enrascadas - disse eu com um sorriso tímido.
Tinha que admitir que tinha gostado da visita.
- Mano, Leonor, Mário, a minha pequena Maria, que bom ter-vos aqui comigo. Gostei da surpresa menina Joana obrigada – mas espera falta uma pessoa –reparei eu – comigo somos seis e tu disseste para pôr mesa para sete! Já não sabes contar Jo?
Riram-se todos, seguiu-se um pequeno silêncio e de repente:
- Olá Amora! Surpresa.
- Não pode ser, Banana?
O Alexandre, a Joana e eu fomos colegas de faculdade e já não o via há cerca de quatro anos, estava feliz pelo reencontro. Conhecemos-nos nas praxes e desde essa altura até sermos finalistas fomos inseparáveis. Eram as duas amoras e o seu banana, como carinhosamente nos tratávamos, resumindo éramos os três da vida airada. Foram cinco anos maravilhosos, recordações fantásticas, chorámos, rimos, gritámos, brincámos, discutimos, estudámos, embebedámos-nos, estudámos, partilhámos enumeras experiências, até a situações menos positivas serviram para crescermos como seres humanos.
Abraçámos-nos, estava tão feliz por o voltar a ver.
- Estava a ver que nunca mais te via – refilei eu.
- Não fales assim comigo – olhando para os outros acrescentou – continua a mesma refilona de sempre – e deu-me mais um abraço.
- Mas entrem, não vamos ficar à porta durante toda a noite.
- Deixem passar a cozinheira – brincou a Joana – ainda vêm quentinhos estes penosos.
- Trouxe o vinho preferido da minha maninha.
- Sempre atento mano, não consigo resistir a uns copinhos de Muralhas, posso apanhar um pifo afinal até estou em casa.
Riram todos.
- Mas sentem-se que eu vou ajudar a Joana a acabar o jantar.
Dirigi-me para a cozinha de encontro à Joana que já tinha posto mãos `a obra, estava a colocar os frangos e as batatas fritas nas travessas a irem para a mesa. Faltava apenas temperar a salada de alface. Ajudei-a a terminar.
- Obrigada Jo, sabe bem ter os meus amigos a rodear-me, assim não me sinto tão só.
- Oh, disparate, sabes perfeitamente que não te deixo sozinha, e tens sorte porque não sou a única com este pensamento, não sei é porque não vestiste uma roupa mais elegante para receber os amigos, essas calças de fato-de-treino e t-shirt, francamente Ana Margarida não lembra a ninguém. Nem me fazes lembrar a minha amiga queque.
- Queque, eu nunca fui queque! – refilei.
-Bem antes de conheceres o Bernardo eras um bocadinho, tens que admitir.
- Não era nada, nunca fui queque, era mais arranjadinha.
Olhámos uma para a outra e desmanchámos-nos a rir, com a conversa da treta.
- Estás a ver amiga já te ris com mais vontade.
-Ter-vos perto de mim faz-me realmente bem.
Abraçaram-se.
-Vá vai já vestir um vestido e soltar-me esse cabelo –ordenou-me a Joana.
Sorri e fiz tal e qual o que ela mandou, não exitei quando abri o guarda-fatos tirei um vestidinho curto, bastante florido, tinha sido o Bernardo que me tinha oferecido, trouxe de presente do Brasil, eu por questões profissionais, não o pude acompanhar, então ele trouxe-me esse miminho. Sempre que ele viajava sem mim, na bagagem de volta trazia sempre um presente, e eu adorava esse carinho dele.
Quando voltei à sala já estavam todos à volta da mesa com a excepção da Maria que não parava de puxar o rabo ao Toni. Coitadinho do Toni, era um cão muito pachorrento, mas já não tinha paciência nem idade para aturar crianças a melgá-lo, portanto fui socorrer o meu fiel amigo.
- Maria vem cá à tia, vamos papar.
Todos elogiaram a minha mudança de visual, recebi uns assobios, agradeci um pouco envergonhada e sentei-me à mesa.
O jantar foi bastante agradável, nada de grandes alegrias, porque o momento por que estava a passar não me permitia grande euforia, mas foi bastante agradável. Até bebi um bocadinho a mais, já me sentia um pouco tonta.
Abordámos vários temas durante o jantar, desde politica, religião, desporto, e psicologia como não podia deixar de ser. Até contei o percalço que tinha tido com o David Luiz, o que os deixou bem divertidos. As opiniões eram unânimes, mas com pequenas diferenças em relação ao sexo, os homens concordaram que ele era o melhor defesa a jogar em Portugal e dos melhores do mundo e as mulheres que ele era lindo e charmoso.
- Para a próxima quero ir contigo.
-Oh Jo nem reparei se ele era bonito, estava tão nervosa que só queria fazer o meu trabalho e pirar-me dali, não correu mal mas podia ter corrido, não gostei da situação – queixava-me eu, já com a língua a enrolar um pouco.
- Tu estás é bêbeda todos riram.
-Pois estou – gargalhada geral
-Com aquele monumento à frente só pensaste em fugir. Deus dá nozes a quem não tem dentes.
- Bem mana - interrompeu Tiago – a noite está fantástica mas temos que ir está a ficar tarde a Maria tem que dormir. E nós amanhã também trabalhamos cedinho.
- Sim mano obrigada pela visita, gostei muito de vos ter aqui ao pé de mim.
- Depois amanhã ligo-te para saber como está a ressaca –gozou ele comigo.
- Sim é o mais certo que tenho, o pior é que tenho uma entrevista importante para fazer e ainda por cima vai ser a capa, tenho que estar 100% concentrada – peguei na minha sobrinha ao colo e dei-lhe um grande beijinho – até amanha meu doce.
Fui até à porta e despedi-me do meu irmão, da minha cunhada e da minha sobrinha.
-Xau meus amores adoro-vos, e fechei a porta.
A noite já ia alta e a conversa continuava animada, até que me lembrei de perguntar se eles conheciam alguma casa para alugar, visto querer mudar de morada.
Eles pensaram um pouco, a Joana segredou qualquer coisa ao irmão e depois falou:
- Bem por acaso eu até conheço uma, não sei é se estás interessada em viver com mais duas pessoas.
Interrompi a Joana:
- Essas duas pessoas é que se calhar não estão interessadas em viver com uma alminha que tem uma gata e um cão, e sabes que nunca abandonarei os meus bichinhos.
- Olha que não, não se vão importar, tenho um dedo mindinho que adivinha.
- Ui, tanta certeza, então quem são esses benfeitores e onde fica essa casa.
- Amanhã podes almoçar comigo? – perguntou a Joana.
- Em principio sim.
-Então, depois levo-te a conhecer a casa, pode ser?
- Sim pode ser, estou decidida a mudar de apartamento, não consigo viver neste sem o Bernardo.
- Bem amiga temos que ir embora, amanhã todos trabalhamos e o Mário tem aulas na faculdade.
- E eu tenho uma conferência logo pelas nove da manhã e ainda por cima o tema central é acerca da sono - rimos todos.
-Obrigada amigos pela noite – virando-me para o Alex disse-lhe – Adorei rever-te banana continuas o mesmo.
-E tu continuas linda minha Amora.
O Alex durante os cinco anos de faculdade sempre teve um fraquinho por mim, mas eu só tinha olhos para o Bernardo.
Entretanto os meus amigos foram embora, e eu bebi um último copo de vinho sentada no sofá da sala. Senti-me de novo sozinha embora tivesse a Noa e o Toni ao meu lado, sempre fieis. Adormeci a pensar que se calhar o melhor era mesmo ir viver com outras pessoas, para não me sentir tão sozinha.
"Homem nenhum pode ser feliz sem um amigo, nem pode estar certo desse amigo enquanto não for infeliz".
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