quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Fanfic "O Olhar do Futuro" 15º Capítulo

Cheguei à porta do apartamento do David e toquei à campainha, sentia-me menos nervosa estava mais descontraída, até porque neste trabalho da tarde, não tinha um papel activo na reportagem. Apenas ia fotografar o David ao longo da entrevista, que o Daniel Oliveira lhe ia fazer para o Alta Definição, não precisava de lhe dar indicações o que me desacelerava o coração.

-Olá mais uma vez – disse o David abrindo-me a porta – entre estamos prestes a iniciar a entrevista, esteja a vontade e se precisar de alguma coisa é só pedir.

-Obrigada – agradeci ao David. “Ao menos não disse nenhuma gracinha e até foi gentil”.

-Gustavo mano, esta é a paparazzi que te falei, que me fotografou com aquela menina com quem andei há uns tempos atrás.

“Já desconfiava, afinal foi sol de pouca dura, mais um ataque” – pensei mordendo o lábio.

O Gustavo sorriu apresentando-se.

-Olá, eu sou o Gustavo vivo com o meu mano David, tenho ouvido falar de você.

-Falado de mim? – perguntei, espantada.

-Sim – respondeu embaraçado – o meu mano falou-me das fotos que lhe tirou sem a sua autorização.

-Bem Gustavo já falaste demais, estavas de saída não estavas? – e empurrou-o para a porta.

-Sim, até um dia destes, Ana (ele até sabia o meu nome e tudo) foi um prazer – e saiu, mas ainda o consegui ouvir a comentar para o David que me tinha achado bem gira.

Mal o David entrou confrontei-o.

-Pensei que aquela situação do paparazzi já estava ultrapassada, deixa-me sempre envergonhada quando fala disso, já lhe disse que o fiz porque fui obrigada, nunca mais me chame paparazzi, chamo-me Ana – estava um nadinha furiosa.

Mas nem deixei que me respondesse, virei costas e fui preparar o material fotográfico para começar o meu trabalho. Fiquei irritada, a manhã tinha corrido tão bem e ele estragou tudo.
Já estava tudo pronto para iniciar a entrevista, mas antes de se acomodar no sofá para ser entrevistado passou por mim e pediu-me desculpa (muito baixinho, pouco perceptível) ao mesmo tempo que tinha no rosto um olhar de arrependimento, mas eu fiz que nem vi.
O Daniel foi fazendo a entrevista, e que entrevista fantástica. O David respondia a todas as perguntas sem hesitar (embora por vezes timidamente), com grande simplicidade e sabedoria, o sorriso dele iluminava a sala. Na entrevista ele revelava o seu melhor lado, aquele que eu não conhecia. Falava do amor que tinha pela família, amigos, por Deus e também pelo Benfica. Havia muita beleza naquela voz, uma beleza misteriosa e inquietante, possuía um encanto que me deixava perturbada. Estava deliciada a tirar-lhe fotografias.
“Como pode ser tão rude comigo, se aquele que vejo sentado naquele sofá é a doçura em pessoa, deve haver alguma coisa de errado comigo” – pensei.
Entretanto a entrevista acabou comecei a arrumar as minhas coisas, apressadamente, até porque tinha começado a trovejar e eu tinha medo que ficasse pior.

-Espere um pouco – pediu o David – gostava de ver as fotos que me tirou durante a entrevista, para poder dizer as que gostava de ver publicadas.

- Mas isso é para ser feito em outro dia, eu depois envio para o estádio da luz todas as fotos e você escolhe as que mais lhe agradam – não me apetecia ficar ali com ele.

-Mas de manhã mostrou-me e agora também gostava de ver. Está chateada comigo por a ter chamado paparazzi? –disse com um olhar desapontado.

Não lhe respondi apenas acedi ao pedido dele.

-Ok, eu mostro-lhe as fotos – não queria ser desagradável.

Entretanto já os outros tinham ido embora e a trovoada aumentado de intensidade e eu sentada no sofá dele a mostrar-lhe as fotos.

-Estou a gostar, tenho muitas fotos a sorrir e até uma com a lágrima a querer sair – esboçou um sorriso – apanhou o melhor de mim e o mais sincero, parabéns, eu sabia que era muito melhor a fotografar do que a cantar – deu uma gargalhada.

Agradeci com um sorriso contido.

- Ui, mas quem é este feioso? Posso apagar esta? É que está muito mal, se publicarem isto nunca mais arranjo namorada – disse ele em tom de graçola, rimos os dois.

-Um sorriso hum … que bom, tem um sorriso lindo sabia? Tem que lhe dar mais uso – elogiou ele.

Fiquei sem graça. Não respondi, levantei-me e comecei a arrumar as coisas.

-Tenho que me ir embora, tenho mais trabalhos hoje.

-Quer ajuda – perguntava o David vendo-me um pouco atrapalhada.

Não suportava trovoada, desde miuda que tinha medo e o facto de ter ficado sozinha com o David estava a deixar-me enervada, já sentia as mãos húmidas.

-Não – respondi eu, mas na verdade queria dizer que sim, para me ajudar, queria ir para casa o mais rápido possível,  mas não queria fraquejar à frente dele.

Fui arrumando as coisas, mas a cada trovão que dava eu estremecia. Penso que ele se estava a divertir com a situação, tinha-me à frente dele completamente vulnerável.

-Já está, tenha um resto de boa tarde.

 Sai a porta, mas conforme dei um passo para fora, assim dei dois de novo
para dentro de casa, deu um trovão tão forte que só me apeteceu gritar. Mas contive-me. Mas não consegui evitar agarrar-me ao braço do David, como que a pedir protecção. Ele sorriu, mas não me negou ajuda.

-Está com medo, entre venha, deixe isto passar.

Não pude recusar, o medo da trovoada era mais forte do que a minha vontade.

-Desculpe o pavor é tanto que não posso negar a entrar de novo, sinto-me um pouco ridícula com esta situação, pareço uma criança assustada.

-Todos temos os nossos medos, e pelo que percebi os da Ana são poucos, parece-me uma mulher forte.

-Pois uma mulher forte com medo de trovoada – sorrimos.

Estávamos a ter uma conversa completamente normal, sem picardias, o que me agradava.
Mais um trovão e mais um agarrar de braço, não conseguia evitar era instintivo.

-Desculpe – pedia eu envergonhada.

-Não há problema esteja à vontade, não me incomoda. Vou à cozinha buscar um café quer?

-Não saia de ao pé de mim - implorei. Só pensava que depois daquela cena como é que eu ia olhar para ele, grande vergonha.

-Então venha comigo até à cozinha, eu estou mesmo a precisar de um café - e estendeu-me a mão.

Não hesitei em agarrá-la, precisava de um porto seguro, de alguém que me, protege-se e o David estava a fazê-lo na perfeição tal e qual o Bernardo fazia quando havia trovoada. Já estávamos na cozinha, quando deu um trovão tão estrondoso que faltou a luz, o susto foi tão grande que desta vez o braço não me bastou, agarrei-me ao tronco dele como uma criança amedrontada. Mais uma vez não me negou “ ajuda” e envolveu-me nos seus braços compridos e fortes. Senti-me tão protegida, parecia que nada de mal me podia acontecer, ficámos uns longos segundos naquela posição, mas a pulsação ia batendo mais forte, o coração insistia em acelerar e instintivamente beijei-o, ele retribuiu com um beijo quente, de perder o fôlego, cheio de intensidade que teimava em não terminar. Não nos largávamos, a atracção era tanta que parecia que o corpo já estava a pedir aquele beijo há muito tempo.
 As nossas mãos percorriam os nossos corpos por baixo das roupas de forma frenética, não estava a pensar, estava a ser levada pela excitação.
Ele levou-me para o quarto e cedemos completamente ao desejo. Não trocámos nem uma palavra apenas nos entregámos ao prazer e ao devaneio do momento.
Mal nos largámos, apercebi-me do que tinha acontecido, levantei-me envergonhada e incrédula. Comecei a vestir-me. O David  perguntou:

-Já vai, não quer ficar mais um pouco, quem sabe até para jantar?

-Não posso ficar, tenho que ir…

-Mas vai assim, não gostou de estar comigo… - perguntava ele confuso.

-Não devia ter acontecido desta maneira, é a primeira vez que faço isto juro.

-Mas eu gostei muito.

-Claro que gostou, é homem, como não havia de gostar – respondi um pouco rude.

-Não entenda assim, gostei mesmo de estar consigo, houve química entre nós, muito físico, mas não só.

Enquanto íamos discutindo o que tínhamos acabado de fazer ia-me vestindo o mais rápido que podia. Queria sair dali.

-E trata-me por tu, acabámos de ir para a cama – respondi já um pouco descontrolada.

-Está bem, trato por tu – tentava-me acalmar e mostrar que o que tínhamos feito era uma coisa naturalíssima.

- Mas estás arrependida? Tens namorado? – perguntou ele nervoso.

-Sim para as duas perguntas. – respondi eu sem me preocupar que estava a mentir.

A resposta não foi a que ele esperava, deixei-o sem palavras.
Sai do quarto, peguei nas minhas coisas e mal abandonei a casa as lágrimas começaram-me a correu, senti-me pessimamente, além de ter ido para a cama praticamente com um desconhecido, senti-me como se tivesse traído o Bernardo.


"O medo é a única prisão, e a única verdadeira liberdade consiste em viver livre do medo."
Aung San Suu Kyi

6 comentários:

  1. Ola. Li o tua fic ontem pela primeira vez e estou a adorar a historia. Tanto que hoje já vim aqui de novo actualizar-me.
    Continua que estas a fazer um grande trabalho.

    Marisa

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  2. olá :)
    adorei a tua fanfic
    está diferente das outras. na positiva, claro :D
    continua a postar.

    se quiseres, podes dar um saltinho no meu blog. tenho lá a minha fic :)
    http://sofiarc.blogspot.com/

    beijinho

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  3. Ola, eu so soube deste blog hoje e apesar dos muitos capitulos ja li tudo porque acho a tua fic viciante quando se começa a ler nao se consegue parar esta simplesmente fantastica a fic acredita...Queria tambem pedir te que continues com este óptima fic estou impaciente a espera da continuaçao .Tambem te queria dizer que sigo varias fics mas a tua surpreendeu me pela positiva e diferente das outras...continua. Bjs Marta

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  4. Obrigada meninas, não imaginam como foi agradável chegar aqui hoje e ler os vossos comentários. Adorei saber que gostam de ler o que escrevo :)muito obrigada.
    Sofia eu acho que já li a tua fanfic, mas são tantas que baralho-me nos nomes :) mas vou já ler a seguir.
    Beijinhos para as 3 ;)*

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  5. Ana Mar

    Não tens nada que agradecer, os elogios sao mais que merecidos. Ate te digo mais, é uma pena alguns fics, como é o caso da tua, não sairem em livro, tipo romance.

    Marisa

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  6. Claro que tenho agradecer:) sair em livro ia ser complicado, ainda me falta muito, muito para conseguir chegar a esse patamar, mas.
    Beijinho e obrigada por vires aqui ao meu blog comentar, assim até me sinto mais inspirada a escrever:) bjinho

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