quinta-feira, 23 de setembro de 2010

"Os Nossos Olhares" 21º Capítulo

Pagámos a conta e informámos o empregado de mesa que iríamos tomar café no bar. O David ficara mudo de repente, praticamente só me respondia com monossílabos (sim, não, pois …).
Enquanto nos encaminhávamos para o bar não trocámos uma só palavra, sentia que o David ficara distante após aquelas palavras com o fã.
Sentámo-nos numa mesa discreta num canto do bar, a pouca luz que iluminava o espaço fazia-nos sentir menos observados, podíamos estar mais à vontade. Pedimos o café e ficámos quase cinco minutos sem trocar uma palavra, fomos observando as pessoas à nossa volta. O ambiente estava animado, era a festa da caipirinha, o bar estava decorado com motivos do Brasil, nas colunas podíamos ouvir música brasileira, mas nem isso parecia deixar o David mais falador ou animado.

-Uma festa brasileira, nem de propósito, deves estar contente com esta coincidência feliz - tentei quebrar o silêncio que se havia instalado entre nós.

-Sim, é agradável estar num local onde as minhas raízes estão presentes – respondeu distante.

-E parece que vai haver karaoke – disse divertida e num tom entusiástico.

-Pois. – respondeu, a seco.

Como não tinha paciência para birrinhas, e parecia-me que o David estava a fazer uma decidi confrontá-lo.

-Que se passa? Ficaste mudo de repente. Fiz ou disse alguma coisa que te incomodou? – Perguntei, com firmeza.

-Está tudo bem, só estou cansado – desconversou.

-Então se estás cansado vamos embora, não quero que faças fretes – respondi um pouco chateada.

- Não, nada disso, quero aproveitar um pouco mais da noite na tua companhia.

-Então fala comigo, de repente mudaste de atitude, conseguiste deixar-me desconfortável.

-Desculpa estava para aqui a pensar no que não devia – alargou o sorriso e continuou – a noite está a ser muito agradável, gosto de estar contigo.

Sorri satisfeita, parecia que tinha o David de volta à minha companhia.

- Vou pedir uma caipirinha - disse eu. - Também queres?

-Eu não bebo. E tu também não devias beber, tens que levar o carro.

-Se beber mais do que a conta telefono à Joana para me vir buscar.

-Mas se for preciso levo-te a casa …- fez uma pausa e olhou-me com dúvidas - 
 Posso fazer-te uma pergunta?

-Diz.

-A Joana essa tua amiga sabe do que se passou entre nós?

-Sim sabe de tudo, eu vivo com ela, e não consegui disfarçar que não estava bem naquela tarde. Não lhe escondo nada da minha vida, conto-lhe tudo, ela é a minha confidente e companheira nas boas e nas más horas. E tu contaste a alguém? – Perguntei, um pouco com medo da resposta, mas já sabia que ele ia confirmar que tinha contado ao Ruben.

-Mas não contaste a mais ninguém – insistiu.

-Só contei mesmo à Joana. Então e tu a quem disseste?

-Bem … eu contei ao Ruben.

-Já imaginava.

-E ao … Gustavo.

Senti-me a corar, e uma pequena raiva a crescer em mim. Queria que fosse segredo e não lhe bastou ter contado ao Ruben, o Gustavo também teve que saber.

-E à mãezinha e ao paizinho também contaste, ao plantel do Benfica e já agora ao condomínio todo – disse irritada.

O David deu uma gargalhada.

-Calma, são os meus melhores amigos, tinha que contar.

-Então e eles deram-te os parabéns, por mais uma conquista, mais uma parvinha que caiu na tua lábia – continuava zangada – vou-me embora, até já perdi a vontade de beber a caipirinha.

A conversa azedara embora o ambiente à nossa volta estivesse bastante divertido, eu estava fula, mas o que me deixava ainda mais chateada era o ar descontraído do David.
Peguei na minha mala e levantei-me amuada. Mas o David agarrou-me na cintura e não me deixou avançar para fora do bar. Estremeci, as mãos dele tocavam-me de novo, e como era bom sentir aquelas mãos viris a rodearem-me a cintura. Tentei não tremer, não podia permitir que ele percebesse que me deixava completamente arrebatada.

-Não sejas tontinha, senta-te – pediu-me.

Na verdade eu não queria deixar a companhia dele, mas senti-me envergonhada e confusa.

-Não cometemos nenhum crime, e agora sei que nenhuma traição, o que me deixa mais descansado. O que aconteceu entre nós foi um momento lindo e inesquecível muito para além do explicável. Deixa de lado as culpas e os pensamentos menos bons. Entregámo-nos sem pudor à nossa vontade. Adorei estar contigo foste perfeita, explosiva, bela, sensual… Perdi-me completamente no teu sorriso delicioso, no teu corpo perfeito, no teu cheiro, no teu toque atrevido, na tua pele macia, nos teus lábios, ai os teus lábios –sorriu docemente, as palavras dele aceleraram o meu coração – era impossível evitar aquele impulso, a atracção foi mais forte que a razão. Sentimos e cedemos ao desejo.

Estava atenta ao que ele me dizia, seguia atentamente os movimento dos seus apetecíveis lábios, para não perder uma única palavra.

- Só contei ao Ruben e ao Gustavo porque são os meus melhores amigos não lhes escondo nada, e como também perceberam que eu estava estranho insistiram e eu tive que falar, mas sem detalhes –fez um sorriso maroto. - E tu também contaste à Joana, estamos pagos, tiveste azar porque eu tenho dois melhores amigos - e deu de novo uma gargalhada.

Estava hipnotizada pela voz dele, nem queria acreditar no que tinha ouvido, a pulsação continuava a mil era quase audível, estava atordoada pela maneira como ele falou no nosso caloroso encontro. Pensei se estaria a ser ingénua em achar que ele estava a ser sincero, mas na verdade o que antes me parecera mau, ao fim de ouvir o discurso dele parecia-me belo e excitante.

“Estou armada em virgem ofendida, estou a ser ridícula, já não sou nenhuma miúda, e a culpada do que aconteceu até foi minha”. – e sorri timidamente.

-Um sorriso … será a bandeira branca. Paz? –

-Estou a ser ridícula. Vamos esquecer essa história.

-Não quero esquecer, nunca.

Agradou-me da forma como o David falou, fez-me sentir bem, desejável. Senti que ainda havia muito para viver naquela noite.

5 comentários:

  1. Ana Mar,

    a cada capitulo novo que leio, aumenta o gosto que tenho pela tua fic. É mesmo extraordinária, sobretudo, de tão realista que é.

    Parabens pela escrita fantástica.

    beijinho,

    23 de Setembro de 2010 10:35

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  2. Mais uma vez estou aqui em pulgas para saber o desenvolvimento desta fic fantastica.


    Marisa

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  3. Ja te disse que amo a tua fic? Se nao disse digo-te agora :D
    Amo mesmo isto!
    Por isso quero mais! :D

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  4. Adorei!
    Ai tou ansiosa por mais!

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  5. Obrigada AnaM., Marisa,Cátia e Lisa, fico muito contente por saber que gostam :) bj

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