-Amiga estás aí? –bateu a Joana à porta do meu quarto.
-Sim Jo entra - respondi entre soluços, ainda não tinha parado de chorar desde que tinha regressado da casa do David..
- Então minha linda o que tens, que se passa? – perguntou-me a Joana preocupada.
-Dá-me um abraço, daqueles fortes, por favor – pedi quase a suplicar.
Durante minutos não se ouviu nada no quarto só mesmo os meus soluços. Chorei baba e ranho abraçada à Joana.
-Fiz, fiz uma enorme asneira – disse eu com alguma dificuldade em articular as palavras.
-Oh não me digas que cometeste algum crime, isso pode ser eventualmente interessante – gozou a Joana para me tentar animar, era sempre a mesma conversa. Mas ela conhecia-me tão bem que entendeu logo que o meu coraçãozinho estava em sofrimento.
-Agora sem brincadeira, o que é que o David te fez, aquele Deus dos caracóis? Tu vens de casa dele, certo?
Nem precisei de abrir a boca para a Joana perceber que o David estava envolvido.
-Mas se é alguma coisa relacionada com ele não pode ser um pesadelo amiga, só pode ser um sonho, e um sonho dos melhores – brincava de novo a Joana, a tentar animar-me.
Eu só chorava, não dizia nada, talvez por falta de coragem para admitir a minha fraqueza.
-Achaste a casa dele pirosa e as fotos não resultaram como querias? Não me digas que descobriste que namora e agora que até o achaste interessante percebeste que já não vais a tempo? – e sorriu de novo.
-És doida – disse eu quase num sussurro.
-Agora a sério Anita que se passa?
-Fui para a cama com ele… - respondi-lhe o mais rápido que consegui, tinha vergonha de dizer aquilo, sentia-me constrangida mesmo estando a contar à minha melhor amiga, mas a necessidade de partilhar o acontecimento era enorme.
-Ahhhhhhhhhhhhhhhh, e esse drama todo por causa disso, devias estar a dar pulinhos de alegria, mas isso é o melhor que te aconteceu nos últimos meses.
-Mas não é alegria que sinto, sinto-me desconfortável com o que se passou.
-Então mas ele é assim tão mau na cama? – disse franzindo a testa - Impossível…. – gozou – Usa meia branca? Uhhhh. Já sei, tem dentadura? Ou pior tem uma perna de pau? – riu. A Joana estava a fazer de tudo para que eu entendesse que não tinha feito nada de que me pudesse envergonhar e tentar fazer do sucedido algo divertido.
-Claro que não, adorei estar com ele – olhei cabisbaixo para a Joana - não sei explicar, foi um impulso, a atracção foi tanta que não consegui resistir, agarrei-me a ele e não o larguei mais até cair na asneira de ir mais longe do que deveria.
-Ah marota, eu sabia que tu eras atiradiça, mas em trabalho Anita que falta de ética – brincou mais uma vez.
-Não consegues falar a sério Joana, caramba – disse com cara de má.
- Mas então qual é o drama? Estás arrependida?
-Como me posso arrepender? Foi tão forte, tão intenso, inexplicável, adorei mesmo estar com ele, não posso negar que me sinto muito atraída por ele. No momento tudo foi maravilhoso, quase perfeito, mas quando terminámos e percebi o que tinha acabado de fazer lembrei-me do Bernardo, senti uma culpa enorme, como se o tivesse traído.
-Mas amiga –agora a Joana já estava a falar com um ar sério – não o estás a trair, o Bernardo já não volta e ele quer é que sejas feliz e acho que ele aprovaria o David … quer dizer se calhar não, se calhar preferia que te apaixonasses por um lagarto.
-Não resistes à piadinha.
-Mas é verdade Ana, apaixona-te, por favor, vais ser muito mais feliz. O Bernardo faz parte do teu passado, um passado muito importante é verdade, mas que já não volta, constrói o teu futuro, vivendo o presente sem medos nem fantasmas.
-Aquela dor no peito voltou, sinto-me tão triste.
- Não sei avaliar a tua dor amiga, mas tu não fizeste nada de errado, apenas viveste. Não podes ter outra recaída logo agora que a tua vida profissional está a despoletar.
Depois de uns breves minutos de conversa com a Joana sentia-me mais calma, o sorriso embora triste, voltou a surgir no meu rosto.
A Joana vendo-me a sorrir não se inibiu de soltar mais umas provocações.
- Mas diz-me aqueles abdominais que aparecem na televisão e nas fotos, é tudo mesmo dele – suspirou.
Sorri e acenei com a cabeça que sim.
-Então e quando o voltas a ver? Pois porque não o podes perder de vista, vais começar a ir aos jogos comigo e tudo.
-Oh Jo não digas disparates, vou lá eu agora ver os jogos. Já sabes que não gosto de futebol, não faças planos sobre a minha vida.
-Aprendes a gostar – disse bem disposta – mas quando é que voltas a estar com ele? Vvais voltar não vais? Diz-me que sim...
-Sim, segunda-feira vou fotografá-lo de novo.
-Boa.
- Mas não se vai passar nada, só vou fotografá-lo e cada um vai à sua vida.
- Pois e hoje também era para ter acontecido isso e é bem diferente o que me estás a contar.
-Eu disse-lhe que namorava e que além disso não tinha gostado de estar com ele – encolhi-me já sabia que a Joana se ia passar.
- O quê? Tu és doida? Não pode ser, vais já ligar para ele a desmentir.
-Não tenho o número dele.
-Eu arranjo não te preocupes.
Eu conhecia a Joana quando ela dizia que fazia uma coisa, fazia mesmo, não era de promessas era mesmo uma mulher de actos.
-Oh Joana não, eu depois falo com ele na segunda.
-Ainda falta muito para segunda.
-Esquece isso a sério. – pedi-lhe, e mudei de conversa - vou passear o Toni queres vir, preciso de apanhar ar, e gostava que me fizesses companhia.
-Ok vou contigo, quero mais pormenores deste teu dia maravilhoso, estou a roer-me de inveja. –disse piscando o olho.
Oh Ana Mar,
ResponderEliminargosto cada vez mais da tua fic. Tão real... na verdade a quem nunca aconteceu não conseguir resistir a um impulso, à excitação, sem pensar?
Parábéns pelo óptimo trabalho. estou ansiosa pelos próximos capitulos
Beijo
Eles tem que se entender. Esta história está tão linda e muito realista. Aquele impulso foi talvez o momento mais bonito de uma relação
ResponderEliminarMarisa
Obrigada :) bjinho para as duas
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