PIPIPIPI... PIPIPI...PIPIPI...
Ana olhou para o relógio despertador e nem queria acreditar que já eram 7horas da manhã, não dormira nada nessa noite (tal como nas anteriores) nessa triste noite, os olhos estavam inchados de tanto chorar, a noite tinha sido terrivelmente sufocante, difícil de descrever o aperto que sentia no peito, desespero e a desorientação atormentava-a.
Em pequenos momentos tinha a sensação que aquele desespero não passava de um pesadelo, mas ao reparar na ausência do Bernardo era levada à fria realidade.
Ana: O Bernardo já não está comigo.
E desatava de novo num pranto, num choro compulsivo difícil de parar. O dia nascera tão triste como a Ana, o céu estava cinzento e escuro, os trovões faziam-se ouvir de tal maneira que a casa parecia estremecer.
Ana levantou-se e pegou no roupão encaminhando-se para a casa de banho. A dor era grande, para todos os compartimentos da casa para onde olhava havia recordações do Bernardo, fotografias, roupas, livros, e o cheiro dele ainda permanecia no ar. Noa e Toni vieram ao encontro dela, quase os ignorou fez uma festa em cada mas com um olhar distante e ausente. Enquanto se dirigia para casa de banho as lágrimas teimavam em cair e só conseguia fazer perguntas, das quais não obtia qualquer resposta.
Ana: Porque nos deixaste? Porque foste embora? Logo agora que as coisas estavam a correr tal e qual como queríamos. Não me podias ter feito isso, que raiva.
A água quente do banho não conseguia sequer aquecer nem um pouco o coração da Ana. Ana saiu do banho vestiu o roupão e dirigiu para a cozinha, ao abrir o frigorifico deparou-se com mais recordações, fotografias dela com o Bernardo, em todas elas estava estampada a felicidade, em todas as fotos os sorrisos estavam presentes, ao lado das fotos estavam recadinhos de amor que o Bernardo deixava à Ana sempre que partia em viagem. Ana leu um a um vezes sem conta, até que foi interrompida pelo toque do telemóvel, ao pegar no telemóvel percebeu que era a mãe, atendendo de imediato.
Ana: Bom dia mãe.
Mãe da Ana: Olá bom dia filha, então como te sentes hoje?
As lágrimas começaram a cair logo em imediato.
Mãe da Ana: Então filha força, não chores senão eu fico muito preocupada e também vou chorar.
Ana: Estou tão triste mãe, não consigo deixar de chorar, é uma dor tão grande, porque é que o Bernardo me deixou? Pois não digas nada, sei que não tens resposta para me dar, mas porque é que me ligaste? Só para saber como estou?
Mãe da Ana: Sim para saber como estás e também para saber se tinhas acordado, afinal hoje voltas ao trabalho e como sei que te andas a encharcar de calmantes tive medo que não acordasses.
Ana interrompeu a mãe.
Ana: Sabes bem que não me ando a encharcar de calmantes, não sei porque continuas a insistir nessa história. Sei bem que não é com medicação que resolvo o meu problema. E se o fizer sabes que é com muita moderação, às vezes preciso, não sabes avaliar o tamanho da minha dor, portanto não me julgues. Eu posso não exercer psicologia mas afinal andei a estudar cincos anos o que faz de mim psicóloga, portanto tenho certos conhecimentos que me podem ajudar a ultrapassar este pesadelo.
Mãe da Ana: Desculpa filha, mas já te disse estou muito preocupada contigo e não quero que faças disparates. Eu sei que o teu irmão tem estado contigo, mas o que achas eu tirar umas férias e ir passar uns dias contigo a Lisboa?
Ana: Não mãe, não é preciso, o mano está sempre comigo quando pode, e a Rita também, anteontem fui dormir a casa deles e até consegui sorrir um pouco, a Maria está tão linda e esperta, já faz tantas gracinhas, foi bom estar com eles.
Mãe da Ana: Então porque não passas mais tempo com eles?
Ana: Eles têm a vida deles e não quero incomodar, além disso sabes que posso sempre contar com a companhia da Joana e do Mário, estão sempre presentes, nestes dias têm demonstrado que são mesmo os meus melhores amigos. A Andreia também está a ser um grande apoio. Como podes ver não estou sozinha.
Olha mãe com esta conversa já são quase oito horas, estou a ficar atrasada, tenho que estar na Olhares às nove horas. Depois falamos mais logo, e não te preocupes eu ainda não estou maluca para me magoar.
Mãe da Ana – Está bem filhinha sempre que precisares liga, a qualquer hora ouviste? Gosto muito de ti, o teu pai também manda beijinhos.
Ana – Também gosto muito de vocês beijinho para os dois.
Ana desligou o telefone dirigiu-se de novo ao frigorifico, só lhe apetecia um copo de leite, não conseguia comer mais nada, o nó na garganta era tão grande que parecia, que não passava mais nada para o estômago, e se tentava comer mais um pouco os vómitos apareciam de imediato.
Dirigiu-se para o quarto, vestiu a primeira roupa que lhe surgiu à frente, pegou na mala de trabalho, e foi apanhar o metro que ficava a uns metros da porta de casa, o dia estava escuro mas mesmo assim a Ana não deixou de usar os seus óculos de sol, assim poderia esconder os papos dos olhos e a enorme tristeza que lhe ia no olhar.
Dirigiu-se para o quarto, vestiu a primeira roupa que lhe surgiu à frente, pegou na mala de trabalho, e foi apanhar o metro que ficava a uns metros da porta de casa, o dia estava escuro mas mesmo assim a Ana não deixou de usar os seus óculos de sol, assim poderia esconder os papos dos olhos e a enorme tristeza que lhe ia no olhar.
O percurso de casa ao trabalho ainda demorava cerca de meia hora, então Ana acomodou-se no banco isolado do resto dos passageiros e começou a divagar nos seus pensamentos. Entretanto sentiu o telemóvel a tocar, era a Joana.
Ana: Sim?
Joana: Amiga, então já vais a caminho da Olhares?
Ana: Sim já vou no metro, mais cinco minutos e chego, ainda dá tempo de irmos tomar um cafezito?
Joana: Claro que dá, por isso mesmo é que te estou a ligar, espero por ti no Camões. Então até já beijocas.
Ana: Até já beijinhos.
Passados uns cinco minutos a Ana chegou ao encontro para o café, a Joana já estava a sua espera.
Joana mal viu a Ana foi logo de encontro à amiga e deu-lhe um forte abraço e um beijinho, Ana retribui o abraço.
Ana: Bom dia amiga, obrigada por teres vindo ter comigo.
Joana: Epá… (com os olhos muito abertos) não quero cá agradecimentos, sou tua amiga, a tua melhor amiga, portanto só tenho é que estar contigo, sabes perfeitamente se não estás bem e feliz eu também não, estou aqui para te apoiar em tudo.
Os olhos da Ana encheram-se de lágrimas e só conseguiu acenar com a cabeça que, sim.
Joana: Já vi pela tua cara, que tiveste mais uma noite daquelas, dormiste alguma coisa?
Ana: Muito pouco.
Joana: Não pode ser, toma aquele calmante que te falei, é fraquinho e não vicia, e pelo menos acalma um pouco a ansiedade. Nós psicólogas, sim porque tu, embora não exerças também és psicóloga, gostamos pouco de químicos para tratar as dores psicológicas, mas às vezes a medicação é crucial.
Bem amiga já são quase nove horas, não te quero atrasar no teu 1º dia de regresso ao trabalho, só te vim dar um abraço e um beijinho e a minha força para este dia.
Ana: Obrigada por tudo, (Ana olhou para o seu relógio), pois, já são quase nove horas e eu tenho que cumprir um horário, ao contrário de certas pessoas que são ricas e têm o seu próprio consultório (e esboçou um sorriso).
Joana: Ui, vi um sorrisinho, muito pequenino mas tenho a certeza que foi um sorriso, que bom. Sabes que podias ser minha sócia, íamos ser a melhor equipa de psicólogas de Lisboa e quem sabe até do país (e deu uma gargalhada) mas a tua arte é outra…
Ana interrompeu a Joana.
Ana: Amiga beijinhos (já a levantar-se e com um ar apressado) tenho que ir são nove horas, falamos ao almoço, eu ligo, xau.
Joana: ok beijoca amiga até ao almoço.
Ana saiu do café Camões e dirigiu-se para a Olhares.
"Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores." William Shakespeare
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