terça-feira, 7 de setembro de 2010

Fanfic "O Clic" 5º Capítulo

O dia começara bem, eu e a Rita fizemos a entrevista tal e qual como havíamos imaginado, a Fátima Lopes era uma Sra. simpática e muito simples, nada de vedetismo. Fez tudo que lhe pedi sem sequer dizer um ai. As fotos ficaram fantásticas, o Meco nunca me deixou ficar mal.
A entrevista durou cerca de três horas, ainda me faltava cerca de uma hora para o almoço, portanto tal como tinha dito no dia anterior à Rita fui tirar umas fotos aos meus pequenos paraísos à beira-mar, percorri alguns quilómetros a pé, mas sempre a dar uso à minha babe (como eu carinhosamente chamava a minha Canon). Estava em paz, fotografar era das coisas que maior prazer me dava. Era uma paz de espírito, uma paz física, uma união única com a natureza.
Desde pequena que estava habituada a tirar uns retratos, sempre que havia festas ou passeios familiares lá ia a Anita ser a fotógrafa de serviço. Adorava fotografar animais, era o meu género de fotografia preferida, andava sempre atrás de um bichinho novo para capturar, com a minha pequenina Sony que não largava nem por nada, aquela máquina fazia parte de mim, sem ela não era feliz. Ainda hoje a guardo com grande carinho, tal e qual como as “milhentas” fotos que fiz com ela.
Já em pequena recebia muitos elogios em relação à qualidade das minhas fotos.
Com o avançar da idade fui-me apercebendo que queria ser fotógrafa, sim fotógrafa e não doutora (de uma coisa qualquer) como os meus pais faziam questão que fosse.
Ao chegar a hora de ir para a universidade os meus pais reuniram-se comigo e perguntaram:

- Ana, então já decidiste o curso superior que vais tirar? Para que Universidade queres ir?

- Sim já decidi … - baixei o olhar – quero ir para Lisboa viver com o Tiago e tirar uma formação na área da fotografia – respondi a medo.

- Como? – perguntou o meu pai, levantando um pouco a voz.

- Quero ser fotógrafa profissional.

- Não pode ser, vais ser doutora, onde já se viu, o teu irmão anda a estudar engenharia civil, não quero ter um filho engenheiro e uma filha fotógrafa, além disso fotografia é profissão de homem – respondeu o meu pai completamente exaltado.
Saí da sala totalmente num pranto, as lágrimas teimavam em cair, mas só pensava “Vou ser fotógrafa e não me interessa se os meus pais querem ou não”.
Passado uns meses, ao fim de algumas discussões cheguei a um consenso com os meus pais, vinha para Lisboa viver com o meu irmão, eles pagavam-me uma formação em fotografia, mas para isso teria também que tirar uma licenciatura. Aceitei e escolhi fazer psicologia, já que também era uma área que me despertava muito interesse, a mente humana era uma caixinha de surpresas, e isso fascinava-me. Vim assim para Lisboa feliz da vida.
Estava perdida nos meus pensamentos e nos meus olhares quando o meu telemóvel vibrou.

- Sim Jo? Bom dia.

- Bom dia amiga, então já estás despachada da entrevista? Já atendi o meu último paciente, estou à tua espera para o almoço.

- Vamos almoçar onde? Tu é que tens que marcar, afinal depois vais levar-me a visitar a minha futura casa.

- Olha, vem ter comigo ao Barbas, conheces?

- Sim já ouvi falar, fica na Costa de Caparica.

-Certíssimo, fica na Rua da praia. – explicou a Joana – se tiveres duvidas liga, beijoquita até já.

- Acho que sei onde é, aviso já que vou demorar um pouco a chegar.

- Eu espero.

- Beijinho – desliguei e pus-me a caminho do tal restaurante.

Não foi difícil dar com o restaurante, entrei na rua da praia e mesmo à minha esquerda estava um edifício amarelo com um placar a dizer “O Barbas”
“Bingo” pensei eu, “até me oriento bem”.
Ao entrar no restaurante percebi que estava cheiíssimo, o empregado veio logo direito a mim perguntar se vinha almoçar sozinha ou se estava à espera de alguém.
Sorri e disse:

- Na verdade tenho uma amiga à minha espera.

O empregado percebeu logo a que senhora me estava a referir e encaminhou-me ao encontro dela.

- Obrigada – agradeci eu ao empregado.

- Chegaste rápido, apanhaste pouco trânsito …

- Sim tive sorte não apanhei filas. Então alguma sugestão para o almoço? É a primeira vez que cá venho e não conheço a especialidade da casa.

A Joana começou logo a mostrar-me os pratos mais apreciados do restaurante, ela era cliente assídua, até porque ficava perto do consultório dela e porque era de um benfiquista, tudo que tivesse ligação ao Benfica interessava à Joana, era daquelas adeptas fervorosas do Benfica. Daquelas que não perdiam um único jogo do seu glorioso. Por vezes tentava arrastar-me para os jogos, mas como eu não ligava muito a futebol (nem sequer tinha clube), não aceitava os convites, até porque o Bernardo era adepto do Sporting, o que também ajudava a recusar os convites de uma benfiquista. Cada vez que dava um Benfica – Sporting na televisão juntava-se um grupo de amigos em minha casa para assistir. Eu via o jogo com eles mas mantinha-me calada durante todo o jogo, mas a Joana e o Bernardo acabavam sempre a noite a discutir, pareciam dois arruaceiros.
Fizemos o pedido e enquanto esperávamos pelo almoço falámos sobre a minha manhã de trabalho, disse-lhe que foi a primeira vez que fotografei a Fátima Lopes mas que fiquei com óptima impressão dela, não tinha tiques de vedeta.
Entretanto a Joana fez-me sinal para me calar.

- Olha para a entrada – disse ela boquiaberta.

- São jogadores do Benfica. – respondi eu mas sem grande certeza.

- Sim claro que são – gritou a Joana histérica – há meses que venho cá almoçar e nunca tinha encontrado nenhum, vi apenas uma vez o grande Eusébio – Meu Deus é o Javi Garcia, o Saviola, o Ruben Amorim e o …

- David Luiz – finalizei eu já com vontade de sair dali …

- Ó, não me digas que tens medo que ele te reconheça da situação de ontem? Claro que não amiga, ele já está habituado a paparazzis e passa por centenas de pessoas num só dia.

- Tens razão.

As palavras da minha amiga acalmaram-me um pouco.

- Eles vêm aí – a Joana estava eufórica, parecia uma criança à espera de um presente.

Eu estava de costas mas não resisti em me virar um pouco e dar uma olhadela aos meninos da bola. Achei-os giraços tenho que confessar, mas fui interrompida na minha visualização quando percebi que o David Luiz olhava para mim, virei-me repentinamente para a Joana e disfarcei o embaraço. A doidinha da Joana disse-lhes adeus e eles retribuíram com simpatia. Rimos as duas.
Eles não ficaram muito longe de nós, e consegui ouvir o David Luiz a dizer que a cara da moreninha (só podia estar a referir-se a mim pois a Joana era loira do mais platinado possível) não lhe era estranha.

- É gira mano deve ser por isso que achas que conheces. Riram todos.

Eu senti-me a corar. “Será que ele me reconheceu” – pensei - “Impossível, não devia estar a falar de mim, e afinal como posso estar gira com estas olheiras horríveis”.

- Ana alô, terra chama Anita…

- Oh desculpa, diz? – tive vergonha de contar à Joana o que parecia ter ouvido.

- É uma delicia este arroz de tamboril? O melhor que comi nos últimos tempos.

- Sim muito bom, mas desculpa não ando lá com muito apetite – respondi com cara de enjoada.

- Pois isso já eu reparei, estás a emagrecer muito tens que ter cuidado, ainda ficas doente.

A tristeza invadiu-me de novo o olhar, mas eu sabia que a Joana tinha razão, mas o nó na garganta não me deixava comer normalmente.

- Amiga já pensaste em ir a alguma Associação que esteja ligada ao luto, tu precisas de colocar esses sentimentos todos cá para fora, precisas de exorcizar essa tua dor, esse teu sentimento de culpa por não estares com o Bernardo no dia do acidente, essa culpa está a dar cabo de ti. Tu não és culpada de nada, simplesmente aconteceu e ninguém o pôde evitar. Nos últimos dias de vida dele (que esteve em coma) não o deixaste um segundo que fosse, ele com certeza que sabe, disso…(fez uma pequena pausa) … eu ajudo-te o máximo que posso, mas sabes como diz o velho ditado popular, santos da casa não fazem milagres. Esta tarde vou fazer uma pequena pesquisa e perceber se há alguma instituição que te possa ajudar. Partilhar as mesmas experiências de Luto é muito bom, percebemos que não somos só nós a sofrer do mesmo – continuou com um discurso, mas não um discurso de amiga preocupada, mas como profissional da psicologia. Que grande psicóloga que ela era, tinha grande orgulho na minha amiga.
Eu ouvia a Joana em silêncio sem a interromper uma única vez, por breves instantes deixei de a ver como amiga mas apenas como psicóloga, foi estranho mas gostei desta breve abanão, deu-me coragem para procurar uma ajuda mais profissional e não me remeter apenas à ajuda dos laços do amor (família e amigos).
Nesta altura já as lágrimas me corriam pelo rosto desalmadamente.

- Desculpa Jo – disse eu aos soluços e com a voz embargada – que vergonha não consigo evitar esta choradeira, sou uma fraquinha, as pessoas ficam todas a olhar para mim, devem pensar que sou tolinha.

- Chora amiga, chora sempre que te apetecer. Deita cá para fora o sentimento, os outros que se f**** que pensem o que quiserem. Faz bem chorar, lava a alma – e sorriu de uma forma tão doce que me acalmou.

- Olha e mudando de assunto, vamos então conhecer a tua nova casa?

- Sim vamos – respondi eu já com um sorriso.

- Mas antes disso temos que pedir a conta – rimo-nos – e tenho que ir fazer uma coisinha aquela mesa ali daqueles quatro borrachos.

- Não estás a falar da mesa dos …

- Isso mesmo – interrompeu-me – da mesa dos futebolistas – não queres vir comigo? – desafiou-me – aproveitas e fazes umas fotos. Pode dar uma notícia para a tua revista – e piscou-me o olho.

Nem queria acreditar que a Joana estava mesmo a ir na direcção da mesa onde estava o David Luiz, muito descarada a minha amiga. Peguei na minha mala e sai discretamente até ao balcão, pedi a conta e esperei mesmo ali pela Joana, mas não resisti e olhei para a mesa.
Pareciam bastante divertidos, sorrisinho para aqui sorrisinho para ali e mais umas fotos com o telemóvel, a Joana até escreveu um bilhetinho e finalmente vi-a despedir-se deles.

- Já paguei – resmunguei eu.

- Fixe vamos embora então, não quiseste ir comigo, não sabes o que perdeste, além de giros são exageradamente simpáticos.

- Deu para perceber, pelos vossos sorrisos – retorqui eu.

- Mas olha que houve um que me fez uma perguntinha sobre ti – disse-me com um ar maroto.

Eu franzi a sobrancelha e senti as minhas faces a aquecerem.

- O David Luiz perguntou se a minha amiga moreninha era fotógrafa – desatou à gargalhada.

Engoli em seco e perguntei:

- O que respondeste?

- Calma, sou loira mas não sou burra, disse-lhe que eras psicóloga, não menti – mais uma gargalhada - que éramos sócias e até lhe dei a morada do meu consultório caso precisasse de uma consulta.

- És mesmo doida, quem precisa de ir ao psicólogo és tu – não pude deixar de me rir.

- Cara colega ir ao psicólogo sai caro e a vida não está para gastos – entrámos nos carros muito bem dispostas.

À medida que ia seguindo o carro da Joana, ia percebendo que o caminho era familiar, de repente estávamos em frente da casa dela. Pensei “mas o que ela vem buscar a casa? Assim vou atrasar-me e hoje ainda tenho muito trabalho pela frente, editar as fotos todas para o número de amanhã”.
A Joana fez-me sinal para estacionar e para sair do carro. Acedi ao pedido dela.

- Então Jo, vens buscar alguma coisa, não podemos demorar são quase duas e meia preciso de ir para a Olhares. – disse eu um pouco impaciente.

- Apresento-te a tua nova casa – sorriu.

- Como é que eu não percebi logo – também sorri, o meu rosto encheu-se de luz.

- Falaste com tanta certeza ontem, e além disso segredaste qualquer coisa ao Mário. Só podias estar a referir-te à tua casa.

- Na muche, e antes que perguntes se a Noa e o Toni vão incomodar, respondo já que não, sinto-me quase como uma tia para eles – rimos a duas – esquecendo que o Toni com a idade de cão que tem, deve já ter idade para ser meu avô – gargalhada total – mas aviso desde já que não mudo a areia suja da Noa – a galhofa continuava – então aceitas vir morar comigo e com o Mário?

- Sim, claro que sim – respondi eu com satisfação – quando posso trazer as malas?

- Se quiseres pode ser já hoje, só precisamos de mudar umas tralhas que temos no quarto que vai passar a ser teu e podes acomodar-te.

- Olha dá-me uns dias, tenho que empacotar milhares de coisas, não vai ser assim tão rápido.

- Eu vou ajudar-te, mas também não precisas de trazer tudo de uma vez. Vais adorar viver comigo.

Abraçámo-nos um pouco comovidas.

-Bem infelizmente tenho que ir, são horas de trabalho tenho dezenas de fotos para editar e ainda tenho que fazer uma capa.

- Com o David Luiz ou com a Fátima Lopes – gozou ela.

- Com a Fátima Lopes, mas o David Luiz também vai aparecer nesta edição abraçado à namorada – respondi eu a sorrir.

- Que desperdício – disse entre dentes a Joana.

- Bem Jo, obrigada pelo almoço depois logo telefono.

- Olha obrigada eu, até foste tu que pagaste.

- Pagas tu outro dia –pisquei o olho.

Despedimo-nos e dirigi-me para a Olhares para mais uma tarde de trabalho.



"Paciência e perseverança tem o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem."

( John Quincy Adams )























2 comentários:

  1. A jo e k a sabe toda... ;)

    Ez mesmo fotografa na vida real? (rxponde so se quiseres claro)

    bjnhs i continua estou a gostar mt.

    Natacha

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  2. Não sou, mas adoro fotografia :)
    Obrigada beijinho

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